Para muitos, a Indústria 4.0 representa a última grande revolução industrial. No entanto, embora o conceito de Indústria 5.0 seja relativamente novo, a União Europeia tem-no destacado em várias ocasiões devido à sua importância. Considera-o um motor fundamental que transcende os objetivos exclusivos de eficiência e produtividade.
A também chamada Quinta Revolução Industrial marca uma mudança no paradigma económico para uma abordagem centrada no valor social e no bem-estar do trabalhador, colocando-o no centro do processo de produção e melhorando a relação entre ele e as máquinas.
A Sociedade 5.0
Os conceitos de Indústria 5.0 e Sociedade 5.0 estão intimamente relacionados, uma vez que a Sociedade 5.0 procura equilibrar o desenvolvimento económico com a resolução de problemas sociais e ambientais.
Este conceito foi impulsionado pelo Governo do Japão e pela federação empresarial Keindanren em 2015, com o objetivo de garantir que ninguém fosse deixado para trás numa sociedade afetada pelo envelhecimento da população, baixa taxa de natalidade e despovoamento das áreas rurais, problemas que também começam a afetar as sociedades europeias.
Esta ideia baseia-se na premissa fundamental de que a tecnologia deve orientar-se para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Um exemplo histórico é a invenção da roda há mais de 5000 anos, que transformou o mundo ao facilitar o transporte de pessoas e objetos.
No entanto, os avanços tecnológicos nem sempre beneficiaram a sociedade como um todo, mas muitas vezes serviram aos interesses individuais. É aqui que o termo Sociedade 5.0 ganha importância, representando uma nova forma de sociedade em que o desenvolvimento tecnológico se centra no ser humano.
Em suma, a Sociedade 5.0 utiliza as tecnologias criadas pela Indústria 4.0 para agir em favor das pessoas, como o Big Data, os robôs autónomos, a Internet das Coisas… E a Realidade Estendida.
A Indústria 5.0
Na Quarta Revolução Industrial, a sobrevivência empresarial tornou-se sinónimo de eficiência e produtividade. Isto levou a uma ampla automatização dos processos industriais, com a substituição de recursos humanos por tecnologia de ponta.

No entanto, a Indústria 5.0 adota uma abordagem diferente, enfatizando a reintegração do fator humano nesta equação. Trata-se de usar a tecnologia para favorecer a relação entre pessoas e máquinas, em vez de simplesmente substituir umas pelas outras. Neste novo cenário, o ser humano torna-se o protagonista, com a tecnologia ao seu serviço.
De acordo com a Forbes, empresas como a Whirlpool, a Mercedes Benz e a BMW abraçaram a visão da Indústria 5.0 a tal ponto que realizaram pesquisas exaustivas não apenas para compreender o potencial da tecnologia, mas também para avaliar a rentabilidade da combinação pessoa-robô. A BMW, por exemplo, descobriu que as equipas que combinam trabalho humano e robótico podem melhorar a produtividade em até 80%.
O papel da Realidade Estendida na Indústria 5.0
Como mencionámos anteriormente, o surgimento da Realidade Estendida ocorreu durante a Quarta Revolução Industrial. No entanto, a sua aplicação está mais alinhada com os objetivos da Indústria 5.0, servindo como uma ferramenta poderosa para melhorar a eficiência e a segurança dos trabalhadores.
A Realidade Mista
A Realidade Mista atua como uma ponte entre as capacidades das máquinas, que oferecem precisão, velocidade e escalabilidade, e as habilidades humanas, que trazem criatividade e discernimento. Sua capacidade de sobrepor dados digitais no mundo real facilita uma colaboração fluida, eficiente e inovadora entre ambos, garantindo assim uma sinergia ideal.

Através de óculos ou ecrãs de Realidade Mista, os trabalhadores podem interagir de forma mais intuitiva com as máquinas, recebendo informações e feedback em tempo real.
Em situações onde a precisão é crucial, esta tecnologia pode orientar os trabalhadores sobrepondo instruções passo a passo, garantindo a precisão e, ao mesmo tempo, mantendo a flexibilidade e adaptabilidade da intervenção humana.
Além disso, em caso de avarias ou mau funcionamento das máquinas, a Realidade Mista pode fornecer um guia rápido aos técnicos através de procedimentos de diagnóstico, destacando áreas problemáticas e oferecendo soluções. Ao reduzir o tempo de inatividade e melhorar a resolução de problemas, esta tecnologia garante que a colaboração entre humanos e máquinas na Indústria 5.0 seja produtiva e sem atritos.
A Realidade Virtual
A Realidade Virtual é utilizada na Indústria 5.0 com o objetivo de garantir a capacitação e a segurança dos funcionários. Os trabalhadores podem receber formação sobre novas máquinas ou sistemas industriais num ambiente virtual, o que reduz o risco de acidentes e lesões, ao mesmo tempo que melhora a futura relação entre humanos e máquinas.

Um exemplo adicional do uso da Realidade Virtual é a sua aplicação na colaboração em equipa. Neste contexto, trata-se menos de executar tarefas individuais e mais de promover a interação entre todos os envolvidos, como engenheiros, operadores e clientes. A Realidade Virtual permite que esses grupos troquem pontos de vista e realizem modificações conjuntas, o que promove uma colaboração mais eficaz.
Convergência entre XR e outras tecnologias
Embora a Realidade Estendida seja, por si só, transformadora, a sua convergência com outras tecnologias de ponta amplifica significativamente o seu impacto. Ao integrar-se com a Internet das Coisas (IoT), permite a recolha e análise de dados em tempo real, facilitando uma tomada de decisões mais precisa e rápida.
Imagine um técnico usando óculos de Realidade Mista enquanto inspeciona máquinas. Com sensores IoT integrados nas máquinas, esses óculos podem mostrar dados instantâneos como temperatura, pressão e eficiência operacional, proporcionando uma visão completa do estado da máquina.
Quando a Realidade Estendida é combinada com o Big Data, as indústrias podem visualizar grandes conjuntos de informações em formatos compreensíveis. Isso permite sobrepor dados complexos em cenários do mundo real, facilitando o planeamento estratégico e a previsão de cenários futuros. Essa sinergia garante que as indústrias possam reagir aos desafios atuais, mas também estejam estrategicamente preparadas para enfrentar o futuro.
Por outro lado, a convergência da Realidade Mista com tecnologias como Inteligência Artificial e Visão Artificial possibilita a implementação de tarefas de verificação inteligente nos procedimentos industriais. Isso é especialmente útil em atividades como inspeção, auditorias, controlo de qualidade e verificação de montagem e assemblagem, maximizando assim a eficiência dos processos.
Em suma, estamos num momento em que a Indústria 5.0 chegou para ficar e as tecnologias de Realidade Estendida, desenvolvidas durante a Quarta Revolução Industrial, tornaram-se as melhores alternativas para colocar os trabalhadores no centro e construir pontes entre eles e as máquinas.


